Marrocos || Fez e as suas 9500 ruelas

by - dezembro 11, 2018


Embora a minha viagem a Saïdia tenha sido férias de praia, fiz questão de ter algum contacto com a cultura e fiz uma tour a Fez, a mais antiga Cidade Imperial de Marrocos. Embora turista, fiz o meu melhor para respeitar a cultura deles e tapei-me o melhor que consegui. O vestido branco foi comprado na Tunísia e foi a primeira coisa que meti na mala quando estava a preprar a minha vinda para Marrocos. Pareceu-me a roupa perfeita para utilizar em Fez. Embora os turistas possam andar um pouco mais à vontade, acho que devemos respeitar a cultura e, como mulheres, respeitar as mulheres que vivem nesta cultura. Se elas andam tapadas, também não vai ser por nós andarmos com um vestido comprido que vamos morrer. "Em Roma, sê Romano", aplica-se aqui.

Tivémos a possibilidade de ir conhecer a parte moderna de Fez. Porém, moderna não significa obrigatóriamente organizada. Estamos em Marrocos, nunca nos podemos esquecer disso. O Palácio Real foi a primeira paragem. Coberto de azulejos com os mais variados padrões, portas banhadas com cor de ouro e detalhes muito bem trabalhados, fazem dele um edífico imponente.

Não foi possível ver o interior do Palácio mas a minha imaginação criou uma imagem baseada na fachada dele e por isso, creio que tudo é bastante típico e tudo grita "Marrocos".


Mas o intuito da tour era ir à parte antiga de Fez, à Medina. Eu já tinha tido experiência do que é uma Medina na Tunísia. Autênticos labirintos, bastante fácil de uma pessoa de perder mas, se na Tunísia não foi difícil, em Fez garanto-vos que é uma Medina muito complicada. Para além de estar repleta de gente, sejam habitantes ou turistas, esta Medina tem 9500 ruelas e acreditem que é mesmo uma autêntica confusão.

A vista panorâmica que temos da Medina antes de lá entrarmos dá a ideia de que é confusa mas, caramba, assim que lá se entra, é necessário entrar em modo "andar rápido e sempre com os olhos no guia" senão vão mesmo perder-se.


Ao longo do nosso trajecto vimos das mais variadas lojas mas o artesanato é o que reina. No entanto, o que me chocou foi as ruelas da carne, peixe e doçaria. Por onde quer que eu passasse e visse bolos de mel à venda, era certo que as abelhas iam estar pousadas. Nas ruelas da carne, esta é exposta em suportes de madeira, sem qualquer protecção, com moscas a cirandar, e gatos a passar por baixo dos suportes. Mas o peixe, ai o peixe. Exposto também em suportes, a água a escorrer e, mais uma vez, os gatos andarem por lá a tentar ver se metem as unhas.


Disto não vemos em Portugal ou noutro país desenvolvido e é este tipo de contacto que eu gosto de ter quando viajo. É este choque frontal com uma cultura completamente diferente e saber que aquilo que eu vi ali, é inaceitável noutros países. Quando eu trabalhava na agência, ouvia muitos relatos de turistas que diziam que era uma falta de higiene e isto quer apenas dizer que estes turitas estavam sempre em modo "desenvolvido" e nunca ligaram o modo "estamos em Marrocos", ou noutro país qualquer africano (ou mesmo asiático!). Reconheço que há pessoas que não conseguem mesmo adaptar-se mas fico triste que assim seja porque depois regressam com opiniões menos boas quando, a meu ver, Marrocos é um país bastante interessante.


Os principais sentidos que nós utilizamos no primeiro contacto numa viagem é a audição, visão e olfacto. Pelo menos, são os sentidos que eu ponho logo em acção. Em Fez, o olfacto é aquele que mais recebe informação. Marrocos tem um cheiro muito típico no geral mas Fez, tem um cheiro muito específico. Uma mistura de especiarias, burros a transportar algo pelas ruelas, carne e peixe ali sem qualquer protecção, sujidade das próprias ruas, esgoto e a própria multidão. Conseguem sentir?

Quem é muito sensível a cheiros, vai sentir ali um certo incómodo porque não é, de todo, algo muito agradável mas assim é Marrocos. Tenho pena de saber que muita gente detesta Marrocos pelo cheiro. Não acho que seja algo que jogue contra o país porque, para todos os efeitos, o cheiro é um dos elementos que o caracteriza.


O cheiro que mais me incomodou foi o cheiro do tratamento de peles para fazer o mais variado de artigos, sejam eles sapatos, bancos, carteiras e por aí fora. É mesmo algo que eu nunca tinha cheirado até então e é muito mas mesmo muito intenso.

Mesmo as próprias lojas onde vendem esse tipo de coisas, têm um cheiro muito característico. Mais uma vez, o olfacto aqui em acção ainda antes da visão porque ainda antes de entrar na loja, o primeiro contacto que têm é com o cheiro.


Esta foi a minha terceira vez num país africano. Confesso que a África não é um continente ao qual que pensava ir tão cedo mas agora valorizo as duas oportunidades que tive de ir à Tunísia e a Cabo Verde e, nesta última vez, de ir a Marrocos.

Não acho que seja difícil perceber que gosto da África. Para visitar, apenas. Existem mais alguns países que pretendo conhecer mas, falando de Marrocos, é um país ao quero voltar mas, numa próxima, será mesmo uma viagem essencialmente cultural pois ainda há tanto para descobrir e Marrocos conseguiu deixar-me o bichinho.

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2 coments

  1. Confesso que tenho muita curiosidade sobre Marrocos.:)

    Another Lovely Blog!, https://letrad.blogspot.com/

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  2. Se eu já queria visitar Marrocos, o teu texto e imagens só aumentaram ainda mais a minha vontade!

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