Dia 27

by - março 27, 2019


Faz hoje um ano e meio que fiz a minha primeira cirurgia e um ano em que voltei ao bloco operatório para mais uma operação. 27 de Setembro de 2017 e 27 de Março de 2018 são dias muito importantes para mim. Esta manhã dei por mim a ir ao espelho e por ali fiquei a olhar durante algum tempo. Toquei na cara, senti os parafusos, as falhas nos ossos e continuo com alguma dormência no queixo e no lábio inferior.

Lembro-me perfeitamente das minhas primeiras horas pós-cirurgia, isto na primeira, a mais longa e a mais complexa. Os meses de recuperação também não foram fáceis mas aprendi tanto sobre mim e cheguei à conclusão de que sou mais forte do que eu achava ser.

Quando toda a gente dizia que eu estava bem eu dizia que ainda tinha de ser operada mais uma vez porque eu não estava a gostar de me ver de perfil e conhecendo-me, sabia que depois de perder inchaço, o meu queixo ia continuar a notar-se imenso.

Em Novembro de 2017, tive consulta com o meu cirurgião e quando eu estava para lhe dizer que queria ser operada novamente ele disse-me "Cátia, vou ter de te operar novamente para te retirar mais uns milímetros no queixo". Estava perfeitamente de acordo e começámos os preparativos para a segunda cirurgia.

No dia 26 de Março de 2018 recebo uma chamada do cirurgião "queres ser operada já amanhã?". Siga! Nós já tínhamos falado acerca dos milímetros que ele pensava tirar mas não estávamos de acordo. Ele dizia 4, eu dizia 6 ou 7 e frisava que eu me responsabilizava por isso se não gostava do resultado final.

Estava no bolo operatório à esperava que ele chegasse e pedi às enfermeiras para não me anestesiarem sem eu antes falar com o doutor. Cinco minutos de conversa e eu disse-lhe "Dr, por favor, tire pelo menos 6". Ele não me garantiu nada e eu também sabia que seria tudo uma questão médica e que depois ele voltar a cortar-me é que iria ver quanto é que poderia tirar sem que fosse demasiado. Acordei com menos 6 milímetros e eu agradeci-lhe por isso!

Se na primeira cirurgia se notou logo diferenças, com a segunda nota-se mais. As três radiografias abaixo são tiradas por esta lógica: antes da primeira cirurgia - depois da primeira cirurgia - depois da segunda cirurgia. Tenho uma nova mas não a partilho porque basicamente a diferença é que já não tenho aparelho.


Ainda estou em processo de recuperação e continuo a fazer consultas de rotinas de seis em seis meses. Tenho sempre imenso cuidado com a cara e às vezes sinto dores. Ainda não estou livre de começar a rejeitar os parafusos mas não penso muito nisso. No geral, sinto-me bem e mesmo quando tenho dores, eu consigo aguentá-las bem.

Apesar de todo o sofrimento, valeu tudo a pena e continua a valer bastante. A quem tiver o mesmo problema que eu, não hesitem e não tenham medo. Vão em frente, vão ver que vai correr tudo bem! Se tiverem dúvidas acerca de todo o processo, entrem em contacto comigo!

Deixo-vos agora com algumas fotos do antes e do depois:


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2 coments

  1. Há situações mais delicadas, que exigem imenso de nós - fisica, mental e emocionalmente. E todo esse processo pode ser desgastante, mas sai um peso de cima quando compreendemos que o resultado valeu a pena; quando percebemos que motivou um acréscimo positivo na nossa autoestima.
    Ainda bem que foi o caso :)

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  2. Há uma diferença enorme em termos físicos, é verdade. Mas é giro ver como a diferença maior é mental. É a diferença enorme da tua auto-confiança e felicidade. Isso é realmente muito bom de ver. Que consigas continuar sempre a evoluir de forma tão positiva!

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