
Tal como aconteceu na Ilha do Sal, também tive a oportunidade de conhecer a realidade da Ilha da Boavista e devo diz que é ainda mais chocante do que no Sal. Ruínas, casas em pedra amontoada, edifícios a envelhecer por não serem restaurados, quilómetros de deserto onde não se vê uma árvore nem uma poça de água. Em Portugal isto vê-se nas aldeias onde já não vive ninguém e, quando há, ninguém os tira da terra deles até eles morrerem.

Já disse várias vezes e repito as que forem precisas: eu gosto de ir a um destino e conhecer a realidade do mesmo. Quando soube que ia a Cabo Verde sempre tive em mente que ia ver pobreza mas acreditem, nunca pensei que ia ver tanta! Foi mesmo um abre-olhos.

Tiro o chapéu a todos os cabo-verdianos que conseguem vingar na vida com o pouco que sempre tiveram. Gabo a cultura cabo-verdiana que mesmo com todas as dificuldades que têm na vida são pessoas felizes. Cruzei-me com muitas pessoas e todas elas sempre com um sorriso na cara sem medo de serem julgadas por isso. Em Portugal dizemos "olá" com cara de poucos amigos e se sorrirmos somos vítimas de mau-olhado.

Foi na ilha da Boavista que pude
conversar mais com as pessoas e que ficaram no meu coração tais como o nosso
guia que teve uma paciência incrível para nos aturar e é uma excelente
pessoa que tem tudo para chegar longe, a menina responsável pelas vendas
da cadeia hoteleira onde estivemos alojados que não tem uma vida fácil
mas o sorriso dela era encantador, o funcionário do bar super simpático
mas atrevido que estava a ir na cantiga de duas inglesas que só tiravam
fotografias quase deitadas no bar e a apertarem o peito para ficar mais
saliente e ele dizia-nos "elas querem conversa então eu dou!", o funcionário do restaurante que me abordou enquanto eu estava
a escolher o que ia comer que disse que eu era muito bonita e pediu uma
maça assada à cozinha porque eu estava doente e levou-me à mesa, as duas meninas que na discoteca "Monster" me ensinaram a dançar como elas e, por último, o rapaz altíssimo que passou praticamente a noite toda a pedir-me para dançar com ele mas eu recusei sempre.
Até breve, Cabo Verde.





















