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Meraki

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A cidade de Santa Maria fica no sul da Ilha do Sal e é aqui que estão concentrados a maior parte dos melhores hotéis-resort. É também em Santa Maria que estão as mais belas praia da ilha. No entanto, a praia que eu mais gostei não tinha turistas. A primeira fotografia e esta segunda foram tiradas numa praia onde só havia turistas.
 

Uma seca, certo? Pois, como se costuma dizer "Em Roma, sê Romano", eu em Cabo Verde preferi dar valor às tradições deles. Qual praia com turistas, qual quê. Eu e mais uns colegas com quem fui nesta viagem decidimos ir todos até ao pontão de Santa Maria. Aqui sim, é a alegria total! A primeira aventura começou dentro do táxi. As duas colegas que foram comigo, disseram "vai tu à frente que estás mais gira e pode ser que ele nos faça um desconto quando for para pagar". Loucas! O que é certo é que pagámos 4€ por todas e os colegas que foram noutro táxi pagaram 6€. Muahaha, resultou eu ir à frente.


É no pontão de Santa Maria que todas as manhãs chega peixe fresco que é ali negociado e vendido. Em toda a marginal, existem bares e restaurantes de várias especialidades. Torna-se um passeio bonito de se fazer mas a vida aqui é mais genuína. Vê-se mais habitantes do que turistas e é disso que eu gosto.


A praia aqui tem mais vida. Era Domingo à tarde, famílias e amigos juntavam-se todos e por ali ficam até ao pôr-do-sol. O mar aqui também é mais calmo e aquele azul-esverdeado é maravilhoso. Dá mesmo vontade de entrar dentro de água mas acreditem que não estava assim tão quente como dizem que costuma estar (eu ainda molhei os pés). Também fui em Maio, normalmente é a partir de Junho que a água fica mais quentinha.


Passámos algum tempo no pontão pois ficámos deliciados com a alegria das crianças a saltarem para o mar, a subir as escadas e a repetir tudo de novo. Mais engraçado é que entre elas competiam e viam quem fazia o melhor salto. Os rapazes do meu grupo decidiram alinhar e juntaram-se a elas. Foi ver sorrisos de orelha a orelha nas crianças por terem mais pessoas a brincarem com elas.


Santa Maria tem um cantinho especial no meu coração. As pessoas são tão alegres, tão genuínas. É impossível não nos sentirmos contagiados. Quando damos por nós, estamos a sorrir como nunca antes o fizemos. Mesmo que eu não tenha ido ao mar, mesmo que não tenha brincado com as crianças, senti-me extremamente feliz.

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A dez minutos de Palmeira fica a Buracona e o Olho d'Água. São dos lugares mais belos da Ilha do Sal, onde nada ali é árido. A Buracona é uma piscina natural que se formou numa rocha vulcânica com a ajuda força do mar mas tem os seus truques. Para além de ser aconselhado andar de sapatilhas pois tudo ali é escorregadio, se a ideia é saltar para a piscina é preciso saber como saltar. Em todo o redor da piscina natural existem espécies marinhas venenosas que é de evitar tocar e por isso, ao saltar, tem de ser mais para o meio possível e manter-se pelo meio até sair da piscina. Os mais corajosos saltaram mas eu e mais uns colegas preferimos jogar pelo seguro e ficámos apenas a ver.


Mesmo ao lado da Buracona, está o Olho d'Água, um tesouro e uma verdadeira relíquia da natureza. O Olho d'Água não é nada mais nada menos do que uma espécie de caverna sub-aquática com muitos metros de profundidade que, a determinada hora e quando existem raios solares, forma-se um olho azul clarinho completamente hipnotizante. No entanto, não é ideal para quem sofre de vertigens pois para conseguirmos ver bem o Olho d'Água temos de desafiar alguns medos, aproximando-nos ao máximo da aberta da rocha que não está protegida, e depois é preciso inclinar-nos um pouco para conseguir ver bem aquele fenómeno. Digo-vos, aquele azul é algo estonteante.



Depois de termos tido contacto com belezas naturais como estas, fomos para o deserto. Sabem aquela história que toda a gente conta de quem anda no deserto e tem sede começa a ver água lá ao fundo e então vai até lá mas acaba por nunca chegar até à água? Pois eu agora percebo! Passámos pelo deserto de jipe e não vimos nem uma pequena poça com água mas, quando chegámos a uma zona onde havia um pequeno bar (vejam lá, um bar no meio do deserto!), o guia pediu-nos para olharmos para o horizonte numa determinada direcção.


Não demorou muito até começar a ver a tão famosa miragem! Água! Água lá ao bem ao longe. Eu tentei tirar fotografias com alguma qualidade de maneira a que a miragem fosse captada. Como eu só tenho a câmara fotográfica do meu telemóvel também não posso pedir muito mas eu acho que se olharem bem para as duas próximas fotos, conseguem vê-la!


Nem imaginam o quanto eu estou chateada por me aperceber que perdi algumas fotografias que tirei na lha do Sal, em momentos super fixes como estar a poucos metros de tubarões e de boiar nas Salinas. Não tendo fotografias, fico-me apenas pelas histórias.

- A história dos tubarões: até podem achar que é mentira mas não é. Juro que estive a poucos metros de tubarões e apesar de estar a tremar como varas verdes foi a primeira vez que consegui ver tubarões. Digo a brincar que aqueles eram inofensivos porque conforme a gente se aproxima, eles afastavam-se. Para chegar até eles, temos de calçar umas crocs, entrar dentro de água e ter muito cuidado para não pisar uma família completa de ouriços do mar. Depois, paramos numa zona onde só há areia e à frente de nós começamos a ver umas barbatanas. O bom português quer é começar a tirar fotografias e dizer bem alto "olha aliiii", mas foi-nos dito para evitarmos fazer barulho e não nos mexermos, como é óbvio! Os tubarões não saíam da sua zona e o guia explicou que onde eles estavam a água estava mais quente e onde nós estávamos estava mais fria. Estivemos poucos minutos ali, mas foi uma experiência que guardo com toda a alegria.

- A história das Salinas: por alguma razão se chama Ilha do Sal. A entrada para as Salinas custa 5€ e para além de podermos ver como são, podemos entrar dentro de uma delas e ficar ali a boiar um pouco. A concentração de sal é tanta que assim que entrei dentro de água, boiei. Por mais força que eu fizesse às pernas para tentar por-me de pé, era impossível. Claro que todos os pequeninos cortes que eu tinha, começaram a arder mas assim também ficaram desinfectados. Tinha um colega no grupo que não queria entrar porque não sabia nadar mas lá o convencemos que ali não era preciso mesmo saber nadar e entrou. Deviam ter visto a cara de felicidade dele. Assim que saí da água e o meu corpo começou a secar, o sal agarrou-se à pele e de repente fiquei ainda mais branca mas brilhante. Depois desta experiência eu queria era tomar um duche para tirar todo aquele sal de mim.
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A primeira ilha visitada foi a Ilha do Sal. Uma ilha pequena, com pouca vegetação e terrenos pouco férteis mas nem tudo é castanho nesta ilha e também nem tudo é regime de tudo incluído. A Ilha do Sal tem alguns lugares que eu tive a oportunidade de conhecer que me fascinaram pela sua beleza natural. Outros, pela experiência em si, como estar a poucos metros de tubarões!

Começamos pela Baía da Murdeira, uma reserva natural que é protegida ao máximo devido à preocupação em conservar o seu ecossistema submarinos e protecção do habitat de algumas aves marinhares como guinchos e rabo-de-juncos. Ao longe, temos o Monte do Leão que, a quem lá for, consegue ter uma perspectiva bem diferente da Ilha do Sal. O Monte do Leão é também chamado Monte dos Sportinguistas (e quando isto se soube, ouviu-se automaticamente um "Viv'ó Sporting" com toda a garra pois não é todos os dias que vamos a um destino diferente e vemos um Monte que é uma homenagem a todos os sportinguistas). Na Baía da Murdeira existem poucas casas mas, as que existem custam uma fortuna e todas elas pertencem a estrangeiros e servem para casa de férias mas atenção que aqui é proibido fazer praia por isso, aos que vivem aqui, têm sempre de ir para Santa Maria, por exemplo.


Deixámos uma beleza natural para darmos de caras com a extrema pobreza de Espargos, capital da ilha. Dizem ter quase oito mil habitantes e eu pergunto-me como é que é possível pois aquela zona é pequena! Imagino famílias enormes a viver em cada uma daquelas casas e barracas sem condições. Era Domingo quando fomos a Espargos e à hora em que fomos estavam todos na missa pois não se via praticamente ninguém. Senti-me triste ao passar por aquelas ruas de terra batida. Triste por eles e por nós que temos tudo e ainda assim nos queixamos. Os poucos habitantes que estavam na rua e nos viam passar, abordavam-nos sempre com um "bom dia" sem segundas intenções. Muitos têm o pensamento errado de que não podemos falar com os cabo-verdianos pois eles querem sempre alguma coisa mas não é bem assim. Se não queres, dizes que não queres que não insistem mas se não disseres "bom dia", eles ficam mesmo muito chateados. São um povo tão afável que é impossível não lhes dizer nada.


De Espargos a Palmeira é um instantinho. É em Palmeira que encontramos uma estátua em homenagem a todos os pescadores da Ilha pois o peixe é o principal alimento deles mas naquela hora estava fraca a oferta. É também em Palmeira que volta e meia se via uma bandeira do Benfica. Era justo. Os Sportinguistas têm um Monte com o nome deles, Palmeira tem bandeiras e símbolos do Benfica. No entanto, cheguei à conclusão que a maior parte dos cabo-verdianos são benfiquistas pois para além do "bom dia", muitos acrescentavam também "benfica é campeão!".


Palmeira acaba por ter melhor aspecto do que Espargos, se é que pode ser dito assim. As ruas estão mais organizadas, e vê-se muita arte urbana o que dá muito mais cor à vila. Ponto comum entre Espargos e Palmeira é a existência de algumas casas pintadas com cores mais garridas como verde, rosa e azul dando uma imagem mais alegre às localidades.

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Fui a Cabo Verde em contexto de trabalho e confesso que não era um destino ao qual planeava ir tão cedo. No entanto, eu adorei Cabo Verde. Tive a oportunidade de conhecer a Ilha do Sal e a Ilha da Boavista e foi uma viagem que, trabalho à parte, serviu para me abrir os olhos.

É certo que muitos viajam a Cabo Verde para férias, em regime tudo incluído e passam uma semana inteira enfiados num resort 5* de papo para o ar na praia ou sentados no bar da piscina. Felizmente, o reconhecimento que fizemos às duas ilhas foi bem além disso. Conhecemos zonas maravilhosas mas mais do que isso, tivemos um contacto bastante directo com a pobreza que existe em Cabo Verde.

Bastou-me a primeira visita a Espargos, capital da Ilha do Sal, para chegar à conclusão de que nós, portugueses, somos muito mal agradecidos pelo que temos. Saneamento, água potável, luz, comida. Mas andamos sempre muito mal-humorados, com cara de poucos amigos e quando nos perguntam como estamos respondemos sempre um "ah, vai-se andando" enquanto levantamentos os ombros e começamos a contar a chatice que é o nosso primo estar com uma perna partida.

E se tu, que estás a ler, achas que estás muito mal com a vida e que não mereces as dificuldades por que estás a passar, então eu vou partilhar algumas histórias que trouxe de Cabo Verde e depois diz-me se afinal estás assim tão mal:

- Conheci uma mulher que trabalha como Relações Públicas de uma grande cadeia hoteleira que vive e trabalha na Ilha do Sal e tem com ela uma bebé que amamenta. Na Ilha de S. Vicente, tem mais dois filhos que só vê uma a duas vezes por ano (quando consegue ter férias). A juntar a esta mulher, conheci outras mulheres em situações parecidas. Ou seja, os filhos, quando deixam de precisar do leite da mãe ficam com familiares noutras ilhas enquanto as mães vão para o Sal ou Boavista trabalhar no turismo

- O salário mínimo em Cabo Verde ronda os 120€. Claro que há pessoas que ganham mais dependendo da área e do grau académico. Por acaso vês-te a ganhar 120€ por mês em Portugal? Pagam-te 525€ mas ainda assim queixas-te que é difícil (atenção!, não discordo pois também sou apologista de que o salário mínimo devia ser maior tendo em conta o custo de vida em Portugal, a balança devia estar equilibrada e sei que não está)

- Uma renda de casa, ronda os 200€. A água, não sendo potável, é preciso comprar em formato "barril". Já não me recordo bem qual o valor e qual a quantidade de água, mas lembro-me que era um abuso e que a quantidade não chegaria para dar resposta a uma família de quatro pessoas para uma semana. A luz então, vale ouro. Caramba, se ganham 120€/mês e uma renda de casa são 200€... há algo aqui que não está certo!

Exemplos dados, aquilo que mais me impressionou é que apesar de todas as dificuldades que eles têm, são as pessoas mais felizes que alguma vez conheci. Adultos e crianças! Em Portugal, as pessoas queixam-se disto e daquilo, do braço que dói, da doença do vizinho, dos comprimidos que tomam. Nós temos água potável, temos luz, temos gás, temos pelo menos uma casa e temos em média 2 carros por família. Há pessoas a ganharem o salário mínimo e outras a ganharem o triplo disso. E toda a gente se queixa! Toda a gente, sem excepção, incluindo eu. Mas, esta viagem a Cabo Verde fez-me acalmar os queixumes e perceber que bem vistas as coisas eu não estou mal de todo.

E com isto, ficaram com curiosidade para conhecer as belas praias onde os turistas estão ou a praia onde os cabo-verdianos se juntam todos a um Domingo à tarde para saltar o paredão e divertirem-se?
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Sou a Cátia, tenho 27 anos e vivo na Islândia.

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